Cultura

Mostra do fotógrafo e cineasta francês Raymond Depardon começa nesta quarta, dia 1, no CCBB

Harar, Etiópia, 2013

COM ENTRADA GRATUITA, A EXPOSIÇÃO EXIBE 170 FOTOS INÉDITAS E DE FORMATOS VARIADOS DE SUAS VIAGENS, SENDO ALGUMAS DELAS TIRADAS NO BRASIL

 

Coberturas de guerras. Situações cotidianas. Tragédias humanitárias. São estes alguns dos temas das fotografias do consagrado francês Raymond Depardon, de 75 anos, que serão expostas na mostra ‘Un moment si doux’, no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro a partir desta quarta-feira, 1º, até 22 de janeiro de 2018. A exposição traz 170 imagens em cores e dimensões variadas entre paisagens, autorretratos e personagens de diferentes países da Europa, África e América Latina, incluindo o Brasil, que, pela primeira vez, tem seus registros expostos em um projeto do artista. O evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apoio da EDF Norte Fluminense e da Embaixada do França no Brasil. A produção é da Bonfilm.

 

Produzidas entre 1950 e 2013, sendo a maior parte inédita, as imagens estiveram expostas entre 2014 e 2015 no imponente Le Grand Palais, em Paris, no museu MUCEM, em Marselha, e, recentemente, no Centro Cultural Recoletas, na Argentina.

 

“Eu não sabia que eu era um fotógrafo da cor. Mas ela sempre esteve lá, desde o início. Eu sempre vi a cor como algo muito suave, ao contrário do preto e branco, com que eu me torno mais maniqueísta, querendo mostrar ao mundo que sofre. Na cor, eu sou completamente diferente. Eu estou mais ligado a minha infância feliz na fazenda dos meus pais, ao desejo amoroso também”, comenta Raymond Depardon.

 

A mostra “Un moment si doux” faz parte da retrospectiva da carreira do renomado Raymond Depardon promovida pelo CCBB durante os meses de novembro a janeiro. O francês ainda mostra o seu lado cineasta com a “Mostra Depardon de Cinema”, que exibe 28 produções, entre documentários e filmes de ficção, a partir do dia 3 a 22 de janeiro de 2018.

 

Com mais de 40 obras, a cinematografia de Depardon é conhecida no mundo inteiro entre o público de cinéfilos. Para essa mostra de cinema foram selecionados os 28 filmes mais importantes da sua carreira, produzidos entre 1969 e 2017. Destacam-se filmes sobre o universo psiquiátrico (São Clemente, de 1980, Emergências, de 1989, e 12 Dias, o último filme dele que estava em seleção oficial no Festival de Cannes 2017), o mundo camponês (três longas na série Perfis Camponeses entre 2000 e 2008), o Chade (La captive du désert, de 1989) o sistema judiciário (Presos em flagrante, de 1994), o mundo politico (1974, Um presidente em campanha, de 2002), a vida quotidiana francesa (Jornal da França, de 2012,  e Os habitantes, de 2016), sempre com um olhar humanista.O trabalho do Raymond Depardon foi consagrado com inúmeros prêmios no mundo inteiro: Gran Premio Nacional da Fotografia, César do Melhor Documentário, Prêmio Louis Delluc, entre outros.  Além da exibição dos longas-metragens, o cineasta Raymond Depardon participará de uma palestra sobre documentários.

 

Fotografias para download: http://www.agenciafebre.com.br/raymond-depardon-0

 

SOBRE RAYMOND DEPARDON

Fotógrafo e repórter, Raymond Depardon, filho de fazendeiros, nascido em 1942 na França, fez as suas primeiras fotos aos 12 anos na fazenda dos seus pais. Mudou-se para Paris em 1958 e entrou na Agência de imprensa Dalmas em 1960. Depois, viajou o mundo a partir da idade de 18 anos em busca de belos momentos fotográficos. A cada retorno, trazia na bagagem fotos impactantes que, muito rapidamente, foram reconhecidas por todos os profissionais e publicadas em jornais famosos.

 

O FOTÓGRAFO

Depardon começou a fotografar no final dos anos 50 na agência Dalmas, para a qual chegou a cobrir as guerras da Argélia e do Vietnã. Em 1966, montou com Gilles Caron sua própria agência, a Gamma e, em 1978, ingressou no time da famosa agência Magnum, onde está até hoje.  A maioria de suas obras é em preto e branco, mas também fotografou a cores desde o início da sua carreira.

 

Hervé Chandès, curador e CEO da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, justifica o foco da exposição: “Existe, desde as primeiras imagens nos 50 até hoje, uma continuidade na obra de Depardon que se revela de uma maneira evidente na exposição. Ele tem realmente um apetite e uma curiosidade pela cor (…). “A cor é a metáfora da curiosidade”, diz ele. “Raymond Depardon usa a cor por seu prazer, liberado de qualquer restrição, sem tema nem expectativa. Alma de nômade, ‘rico em solidão’, ele fotografa lugares sem acontecimentos, aparições, cenas da vida, faz fotos ‘que todo mundo poderia fazer e que ninguém faz’ e sente nelas um momento doce, colorido, silencioso, sonhador, simples, indiferente ao momento decisivo e perfeitamente humanizado”.

 

O CINEASTA

Em mais de 30 anos, Raymond Depardon construiu uma obra maior, além de modismo, que explora incansavelmente o mundo, os homens e as grandes problemáticas do nosso tempo.

Ele foi um dos últimos documentaristas a defender o uso da lente de 35 mm, o que dá a sua obra uma qualidade e uma dimensão espetacular.

 

Pode-se dizer também que ele foi um dos únicos documentaristas franceses a ter o ambicioso projeto de mostrar o que é a França durante esses 30 últimos anos. Além de escolher temáticas do seu interesse pessoal e imediato, acompanhou a história do país com uma consciência aguda do papel do cineasta e de sua enorme responsabilidade social. Isso prova que ele tinha a convicção profunda de que o cinema não é uma arte fútil e que tem o dever de deixar marcas e testemunhas essenciais para entender o mundo.

 

Em toda sua obra cinematográfica, Depardon reivindicou a neutralidade. Filmou muitas pessoas desesperadas ou sofridas, em situações muito difíceis, mas em nenhum momento demostrou uma curiosidade perversa ou buscava comover o espectador. Ele filma os seres humanos, seu carácter único e opaco e, ao mesmo tempo, uma coisa mais ampla, mais inconsciente, que mistura sua liberdade e o que o determina. Depardon não busca uma comunicação imediata ilusória com as pessoas filmadas, não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do “humano” em todo a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico. 

 

LISTA DE FILMES DA MOSTRA DEPARDON CINEMA

 

1. 12 dias (2017) – 1h26min

Classificação: 14 anos

Sinopse: 12 dias após a sua chegada, indivíduos internados em um hospital psiquiátrico sem o seu consentimento aparecem em uma audiência. Um juiz se senta de um lado, o paciente do outro, e um diálogo sobre o significado da palavra “liberdade” e a vida é iniciado.

 

2. Os habitantes (2016) – 1h28min

Les habitants

Classificação: 14 anos

Sinopse: Após os ataques ao jornal Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, o premiado documentarista Raymond Depardon iniciou uma turnê com seu trailer por várias cidades da França para escutar o pensamento dos cidadãos sobre a situação do país.

 

3. La France de Raymond Depardon (2013) – 6min

Classificação: Livre

Sinopse: Raymond Depardon expõe um projeto singular: fotografar o território francês durante seis anos.

 

4. Journal de France (2012) – 1h40min

Classificação: 12 anos

Sinopse: Um diário e uma viagem no tempo. Claudine encontra filmes inéditos de fotos que seu marido, Raymond Depardon, tirou : registros de suas primeiras fotos, reportagens ao redor do mundo, pedaços da memória e de sua memória.

 

5. Perfis camponeses – A aproximação (2000) – 1h30min

Profils Paysans, l’approche

Classificação: 12 anos

Sinopse: Primeira parte da trilogia de Depardon sobre o mundo rural francês. Ele traça um perfil dos camponeses, uma classe sócio profissional esquecida, que só é lembrada, nos dias de hoje, quando catástrofes climáticas ou epidemias colocam-na sob o foco dos noticiários.

 

6. Perfis camponeses – O cotidiano (2005) – 1h21min

Profils paysans – le quotidien

Classificação: 12 anos       

Sinopse: Segunda parte do projeto, na qual Raymond Depardon mostra as diferentes gerações que ocupam o campo, como os jovens que se instalam em fazendas. Nesse documentário ele também aborda os problemas da herança e transmissão de patrimônio.

 

7. Perfis camponeses – A vida moderna (2008) – 1h28min

Profils Paysans – La vie moderne

Classificação: 12 anos

Sinopse: Através de uma série de retratos, Raymond Depardon torna-se testemunha de fazendeiros do interior da França. Trata-se de um documentário sobre vidas, valores e histórias de família, ou seja, tudo aquilo que liga essas pessoas à terra e ao seu legado. A pergunta que o acompanha : o que acontecerá com essas « pessoas da terra » 

O filme recebeu o Prêmio Louis Delluc 2008.

 

8. Instantes de audiência (2004) – 1h45min

10e chambre instants d’audiences

Classificação: 12 anos

Sinopse: Entre maio e julho de 2003, Raymond Depardon foi autorizado a filmar as audiências do tribunal correcional de Paris. Um testemunho inédito do funcionamento da máquina judiciária. 12 histórias de homens e mulheres que um dia foram confrontadas à justiça. Um olhar e uma escuta humanistas, atemporais e universais.

 

9. 1974, um presidente em campanha (2002) – 1h30min

1974, une partie de campagne

Classificação: Livre

Sinopse: O documentário registra a campanha do candidato que acabaria eleito presidente da França, Valéry Giscard d’Estaing. Uma vez eleito, o presidente se opôs à difusão do filme, motivo pelo qual este, que deveria ser o primeiro longa de Depardon, só chegou ao público em 2002.

 

10. Presos em flagrante – (1994) – 1h45min

Délits flagrants

Classificação: 14 anos

Sinopse: Raymond Depardon acompanha o processo pelo qual passam os suspeitos pegos em flagrantes, da sua chegada à delegacia até o primeiro contato com os advogados. Revelam-se uma série de procedimentos que, geralmente, acontecem por trás à portas fechadas.  Filmado em 35mm no Palácio da Justiça de Paris, o filme recebeu em 1995 o prêmio César de Melhor documentário.

 

11. La captive du désert (1989) – 1h38min 

Com Sandrine Bonnaire, Dobi Kore, Isai Kore

Gênero: Ficção 

Classificação: 12 anos

Sinopse: A história de uma jovem feita refém pelos rebeldes toubous. Prisioneira de um universo de silêncio e luz. Sandrine Bonnaire interpreta com retidão essa mistura de angústia e perseverança.

 

12. Urgences (1989) – 1h44min

Classificação: 14 anos

Sinopse: Departamento de emergência psiquiátrica do Hotel Dieu, único hospital a receber qualquer um a qualquer  momento, sem exceção de idade, sexo ou país. Raymond Depardon sabe se fazer invisível e relatar de maneira inédita a relação paciente-psiquiatra.

 

13. Empty quarter, une femme en Afrique (1984) – 1h25min

Classificação : 14 anos

Gênero: Ficção

Sinopse: Em Mogadíscio, Somália, um jornalista encontra uma mulher e a convida para uma viagem pelo deserto ao longo do Nilo até Alexandria. Um filme de grande beleza, sobre o desejo amoroso e a viagem.

 

14. Faits divers  (1983) – 1h48min

Classificação: 12 anos

Sinopse: Raymond Depardon filma o cotidiano da delegacia de polícia do 5º arrondissement de Paris, bairro mais antigo da cidade. Dentro de um furgão, ele segue os policiais mobilizados por acontecimentos inofensivos ou trágicos no coração da cidade.

 

15. San Clemente (1980) – 1h38min

Classificação: 12 anos

Sinopse: Em San Clemente, num hospital psiquiátrico localizado em uma ilha de Veneza, os doentes vivem uma vida livre. Raymond Depardon e Sophie Ristelhuerber, familiarizados com o hospital, retornam com uma câmera, para fazer um relato sobre o fechamento da instituição. Uma viagem surpreendente ao coração da loucura.

 

16. Reporters (1980) 1h30min

Classificação :12 anos

Sinopse: Fotógrafos de imprensa e paparazzi: um mundo laborioso e cínico, com seus códigos, regras e audácias. Raymond Depardon, segue passo a passo os repórteres da agência Gamma. Um mergulho surpreendente na vida política e mundana dos anos 80.

 

17. Les révolutionnaires du Tchad (1970) – 56min

Classificação: 12 anos

Sinopse: Tchad 1: Um grupo de jornalista cai em uma emboscada numa plantação de palmeiras de Aouzou em janeiro de 1970.

Tchad 2: Duas entrevistas com Françoise Claustre, prisioneira dos combatentes do Frolinat no Tibete.

 

18. Un moment si doux (2013) – 26min

Classificação: Livre

Sinopse: Entrevista com Raymond Depardon sobre a exposição Um moment si doux.

 

19. Alguma novidade em Garet (2005) – 10min

Quoi de neuf au Garet ?

Classificação: 12 anos

Sinopse: A fazenda de Garet é posta à venda, e os irmãos Jean e Raymond Depardon conversam sobre o passado e o futuro do imóvel. Falam sobre seus pais e seu trabalho na fazenda, dos filhos, e testemunham a perda da preciosa herança familiar.

 

20. Amour (1997) – 10min

Classificação: Livre

Sinopse: Fotos nas ruas de Paris, ritmadas pela escuta dos sons da vida que ressoam na noite.

 

21. Cartagena (1993) – 3min

Classificação: 12 anos

SinopseEvocação da vida cotidiana de um prisioneiro político colombiano. Parte da série Contra o esquecimento, iniciada pela Anistia Internacional.

 

22. Contre l’oubli (1991) – 13min

Sinopse : Curta-metragem de três minutos sobre casos de prisioneiros políticos para a Anistia Internacional.

 

23. Contacts (1990) – 10min

Classificação: Livre

Sinopse: Raymond Depardon se debruça sobre suas fotorreportagens no hospital psiquiátrico de San Clemente. Ele evoca a marcha do fotógrafo, depois suas hesitações  na escolha da boa foto.

 

24.New York, N.Y. (1986) – 10min

Classificação: Livre

Prêmio César de Melhor Documentario

Sinopse: Durante dois meses, Raymond Depardon filma quatro minutos diários de película na cidade de Nova York.

 

25. Les années déclic (1986) – 1h05min

Classificação: Livre

Sinopse: Um dispositivo original que justapõe voz, imagens e o rosto de Raymond Depardon, desenha o retrato autobiográfico do filho de um agricultor que se tornou fotógrafo. Um testemunho de grande riqueza na obra de Raymond Depardon.

 

26. Piparsod (1982) – 26min

Sinopse : Parte de uma trilogia filmada em uma pequena aldeia rural na índia, por Jean-Luc Chambard, etnólogo, Aktar Mirza, cineasta indiano e Raymond Depardon, fotógrafo e documentarista francês. Este curta-metragem é, devido a sua recusa em filmar o mundo reconhecido como estrangeiro, a melhor definição do exotismo e seu melhor antídoto.

 

27. 10 minutes de silence pour John Lennon (1980) – 10min

Classificação: Livre

Sinopse: Documentário sobre a cerimônia organizada pelos Americanos para John Lennon, após seu assassinato. Os 10 minutos de silêncio no Central Park em Nova York, filmado por Depardon em plano sequência.

 

28. Ian Palach  (1969) – 12min

Classificação: 12 anos

Sinopse: Documentário a respeito da cerimônia em homenagem a Ian Palach, estudante que em 1968, cometeu suicídio em Praga em protesto contra repressão soviética.

 

SERVIÇO

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL – RJ

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS – UN MOMENT SI DOUX | 1/11/2017 a 22/01/2018

MOSTRA DEPARDON CINEMA (28 filmes) | 03/01/2018 a 28/02/2018

Horário: Quarta-feira a segunda-feira, 9h às 21h.   

Entrada franca*.

Retirada de ingressos para a mostra 1 hora antes do início da sessão.