Cultura

CAIXA CULTURAL SÃO PAULO RECEBE A EXPOSIÇÃO “FRANCISCO BRENNAND – MESTRE DOS SONHOS”

 

 

Conjunto de cerâmicas, pinturas, desenhos, fotografias e vídeos recria universo

místico criado pelo artista pernambucano em mostra com entrada franca

 

 

A Caixa Cultural São Paulo inaugura no dia 14 de outubro, sábado, às 11 horas, a exposição individual “Francisco Brennand – Mestre dos Sonhos”, organizada em torno da produção do artista pernambucano Francisco Brennand, reconhecido por sua arte sincrética. Serão exibidas cerâmicas, pinturas, desenhos e fotografias que trazem a São Paulo um pouco do universo místico e fantástico da Oficina Cerâmica Francisco Brennand e do monumental Parque das Esculturas, criados pelo artista, em Recife (PE).  A exposição, que foi exibida recentemente na Caixa Cultural Salvador, tem entrada franca e poderá ser visitada na capital paulista até o dia 17 de dezembro.

 

Com curadoria e projeto expográfico de Rose Lima, a individual conta com 31 obras do acervo original do artista, criadas em diversas fases da sua carreira. Seus trabalhos evidenciam temas como reprodução, mitologia, sexualidade, fauna e flora, personagens históricos e divindades, permeados por signos da tradição popular do Nordeste, bastante valorizados em suas criações.

 

“O público vai conhecer o homem Brennand e a riqueza da sua arte. A exposição pontua seu timbre nordestino com referências diversas à sua família, à literatura, às vivências adquiridas e interações com outros artistas como Abelardo da Hora e Cícero Dias, seus tutores, e os amigos de sua geração que se influenciavam mutuamente como Ariano Suassuna e Lina Bo Bardi”, destaca Rose Lima.

 

Dispostas em quatro alas, as obras são costuradas por uma linha do tempo que perpassa os 90 anos de vida de Brennand. Peças representativas que vão desde o começo de sua carreira, a exemplo do óleo “Autorretrato aos 19 anos” (1947), até outras mais recentes, como “Toques (Série O Castigo)” (2013).

Conjunto de peças escultóricas em cerâmica vitrificada do artista brasileiro Francisco Brennand (Recife, PE, 1927).
Oficina Brennand. Foto Rafael Martins

Além das pinturas e desenhos, a mostra, que tem realização da Via Press, dá destaque às cerâmicas, obras que o notabilizaram internacionalmente. Entre elas, as cerâmicas vitrificadas “La tour de Babel” (1975), “Antígona” (1978) e “Pelicano” (1988), além da escultura em bronze a “Árvore da vida” (1987), com quase 2 m de altura.

 

As obras são organizadas cronológica e criativamente, convidando o público a uma viagem centenária que começa em 1927, no bairro da Várzea, subúrbio de Recife, no local onde hoje está a Oficina Cerâmica Francisco Brennand.  A ambientação propõe uma experiência de imersão visual e sonora que remete o público à Oficina, onde está a maior parte do acervo monumental de Brennand. Grandes painéis fotográficos – reproduções em profundidade de ambientes do local – são somados à sonorização de cantos gregorianos, som marcante do museu-ateliê em Pernambuco, e, juntos, transportam o público por um passeio sensorial.

 

A curadora mescla ao trabalho de Brennand fotos de seu arquivo pessoal em que ele aparece com seus pais, sua esposa e amigos como Abelardo da Hora e Ariano Suassuna. A exposição apresenta ainda conteúdo audiovisual composto pela exibição do filme documentário “Francisco Brennand”, dirigido por Mariana Brennand Fortes, sobrinha-neta do artista.

 

 

Francisco Brennand

 

Francisco Brennand (Recife, PE, Brasil 1927). Chapeuzinho Vermelho e o lobo. 1995. Acrílica sobre Duratex. 81 x 63 cm. Foto Celso Pereira Jr

Há mais de 45 anos vivendo em reclusão artística, o pernambucano Francisco Brennand é pintor, ceramista, escultor, desenhista, tapeceiro e ilustrador. Começou no ofício em 1942, durante a juventude, ao conhecer o artista plástico Abelardo da Hora. Nesse período, foi contemporâneo de Ariano Suassuna, colega de classe com quem produzia um jornal literário. 

 

Em uma viagem a Paris, em 1948, conheceu as obras em cerâmica de artistas consagrados como: Picasso, Chagall, Matisse, Braque, Gauguin e Miró. Em 1950, de passagem por Barcelona, descobriu a obra de Antoni Gaudí, artista que o influenciou fortemente. De volta ao Brasil, em 1958, passou a se dedicar verdadeiramente à cerâmica produzindo diversos painéis em cidades brasileiras e dos Estados Unidos.

 

Em 1971, reforma a antiga fábrica de cerâmica de sua família, antigo Engenho São João, na Várzea, em Recife, transformando-a na Oficina Cerâmica Francisco Brennand, que, juntamente com o Parque das Esculturasconstruído há 17 anos sobre um arrecife natural em frente à Praça do Marco Zero, concentra permanentemente grande parte das obras do artista.

 

Em 75 anos de trabalho artístico, Brennand soma mais de 90 exposições entre Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Uruguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha, além de diversas cidades brasileiras. Hoje, aos 90 anos, se dedica exclusivamente à pintura, atividade que iniciou a sua carreira como artista.