Cultura

Sobrevento celebra 30 anos com espetáculo que fala da perseverança em uma terra arrasada

Cena de Escombros – Foto de Marco Aurelio Olimpio

Com a colaboração das companhias da França Théâtre de Cuisine e Théatrenciel, o grupo apresenta seu novo espetáculo Escombros, que trata da vida em meio a ruínas, valendo-se do Teatro de Objetos

Referência na pesquisa de linguagem do teatro de animação – dentro e fora do Brasil –, criador de festivais e pioneiro em diferentes técnicas teatrais no país, o Grupo Sobrevento estreia, em 11 de agosto de 2017, o espetáculo adulto Escombros, no Espaço Sobrevento (R. Coronel Albino Bairão, 42, Belenzinho), às 20h. A montagem celebra os 30 anos de trabalho do grupo e integra o projeto Memórias e Trajetórias – Sobrevento 30 anos, subvencionado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Criado a partir do Teatro de Objetos – linguagem que o grupo pesquisa profundamente desde 2010 -, com a colaboração das cias. francesas Théâtre de Cuisine e Théatrenciel, o espetáculo Escombros trata da aniquilação dos relacionamentos e dos seres em um mundo que está desabando. Na encenação, pessoas que perderam tudo andam sobre escombros e tentam, apesar de toda a desesperança que paira no ar, compreender como tudo se perdeu sem que se dessem conta e, mesmo incapazes de recompor um mundo que não existe mais, insistem em manter-se de pé. “A destruição do nosso entorno, a ruína de nossas construções, de nossa casa, de nossos sonhos termina por contaminar as nossas relações com os outros e, por fim, entranha-se em cada um de nós, penetrando-nos os ossos e a alma”, diz Sandra Vargas, que dirige o espetáculo ao lado de Luiz André Cherubini.

A pesquisa do novo espetáculo teve como ponto de partida a exploração da linguagem do Teatro de Objetos – onde objetos cotidianos deflagraram as diferentes ações e situações – e a MEMÓRIA como mote principal. A montagem põe lado a lado cenas de uma dramaturgia intimista e delicada, de diálogos simples e diretos, e cenas sem palavras, coreografadas, revelando a humanidade possível em uma atmosfera de vazio e  desolação.

A música do paranaense Arrigo Barnabé e uma canção do carioca Geraldo Roca, na voz do cantor sul-mato-grossense Márcio de Camillo, embalam esta montagem paulistana, que conta, ainda, com figurinos do estilista mineiro João Pimenta e iluminação do carioca Renato Machado, fazendo de Escombros um espetáculo que representa muitos cantos do país em que vivemos.