Cultura

Hoje: Folclore amazonense é tema de teatro para cegos

Voltada para portadores de deficiência visual, peça “Visões” conta a lenda do boto em quatro versões distintas

A peça Visões: espetáculo vai além do mero contar – Foto: Divulgação/Cristiana Gimenes

O ocorro hoje, 29 de julho, a apresentação da peça Visões, às 20h30, no Unibes Cultural (Rua Oscar Freire, 2.500, São Paulo, ao lado da Estação Sumaré do Metrô). Para mais informações, acesse o site.

A construção da peça não foi tarefa simples. A equipe começou a estudar sobre localização dos sons, uso das vozes e divergências na interpretação do texto. Durante o espetáculo, são contadas quatro versões, alcançando diferentes estilos narrativos, sobre o que possivelmente aconteceu na noite em que o boto saiu do rio e foi à cidade namorar.

“No começo achávamos que era algo simples, uma peça para não ser vista, semelhante a uma contação de histórias, mas sem os recursos visuais. No entanto, é muito diferente”, aponta. “A primeira coisa que fizemos foi tentar montar um espetáculo de maneira normal, mas, quando coloquei a venda e experimentei aquela sensação de não enxergar, pude notar que o enfoque deveria ser completamente diferente do que havíamos pensado. Era algo que precisava ir além do mero contar.”

Com o objetivo de construir um espetáculo teatral em sua essência, segundo a diretora, Visões não busca ser um mero “desfile de sensações”. São apenas quatro atores trabalhando na peça, responsáveis pela representação de diversos personagens. Cristiana, como diretora e escritora da peça, também participou de todos os papéis durante os ensaios. “A ideia era que todos os atores tivessem a dimensão de como seriam aquelas cenas no papel de espectadores, que não estariam enxergando.”

A experiência vai além do espetáculo. As vendas são colocadas ainda na parte externa do teatro, fazendo com que os espectadores experimentem, mesmo que por um pequeno instante, as dificuldades diárias dos portadores de deficiência visual.

Aos não portadores de deficiência, diz a diretora, Visões atinge duas áreas: a aflição artística, com um choque sensorial, e a aflição social, proporcionando a vivência de como é não enxergar, mesmo que seja por apenas uma hora. Aos portadores, o espetáculo é gratificante, como uma ação cultural que, finalmente, foi pensada para eles, acrescenta Cristiana.